quinta-feira, 19 de maio de 2016

Arco-íris

Há pouco, fazendo mais um daqueles relatórios impossíveis da faculdade, me deparo com um singelo arco-íris entre as nuvens. Ele não fazia uma curva completa e não tinha cores vibrantes como se espera de um arco-íris que se preze. O curioso é que, apesar da umidade e da temperatura baixa, nada indicava um arco-íris a essa hora do dia e com essas condições.
Fiquei o observando por um tempo, contemplando seus tons e tentando memorizar cada detalhe. As nuvens estavam em tons violetas pasteis e outras brancas, o sol o iluminava ainda mais. A paisagem ficava completa com o verde vivo da vegetação ao horizonte e o marrom de uma árvore seca, distante. Pude refletir um pouco sobre isso.
Na vida, independentemente do você seja e se tenha tempo livre ou não, estamos sempre ocupados demais, buscando qualquer coisa que nos distraia, nos mude, nos faça pensar em qualquer coisa que não seja o vazio. É como uma condenação, a sentença final é deixar de reparar nos destalhes da vida. Se eu não tivesse virado em um suspiro chateado em direção a janela, tenho quase certeza que não teria notado aquela obra de arte da natureza. Somos solitários demais e esquecemos de parar um pouco e admirar os mínimos detalhes, tornando-os solitários também.
O olhando tive vontade de cantar, cantar uma música que sempre me faz querer pensar que ainda há esperanças para mim. Segurei algumas lágrimas, foi um momento tocante e totalmente sentimental pela música. Pouco a pouco o arco-íris desapareceu, encerrando seus dez minutos de aparição. Voltei ao trabalho, de certo modo não me sentindo mais tão só, perguntava-me, apenas, se alguém mais o notou.

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Yoo...