quinta-feira, 7 de abril de 2016

O ato do pensar

Cala-se a voz, tampa-se os ouvidos e fecha-se os olhos. Na mente habita apenas o vazio ardiloso, escondendo décadas de lutas para enfim deixar apenas o silêncio rondar por ali. A vida era um completo pré-texto de roteirista falido, totalmente no automático e nunca permitindo-se pensar, pois afinal, pensar era uma arma. Agora compreendia.
O pensamento tem o dom de engrandecer qualquer um. Pode te levar a mundos que só você deve visitar, tal como te dá o conhecimento dos Deuses. Pensar é algo bom, exercitar a mente e ser dono de confiança pelo simples fato de pensar e saber por na prática, no papel talvez, o que pensou. Mas pensar também é um veneno. Pensar te leva a memórias que nunca vão voltar, a miragens que nunca vão acontecer. Pensar te leva ao paraíso e ao inferno apenas em segundos. Pensar te faz gritar, chotar e escutar juras que nunca serão cumpridas. Pensar te leva a amar e amar é assinar sua própria sentença de morte.
Parar de pensar é algo difícil. Creio que quando se tem o primeiro pensamento está terrivelmente amaldiçoado a nunca mais parar, afinal pensar é uma linha de lã infinita, linha essa que te laça o pescoço toda madrugada. Porém, mentir também é pensar. Mentir que nada pensa, criar essa tola ilusão, por incrível que pareça, funciona. Não eternamente, infelizmente, mas por tempo o suficiente para os olhos arderem de cansaço e o corpo enfim relaxar. Pensar é um ato simples, porém rico em causar sentimentos nada simples. Pensar é torturante, uma verdadeira tragédia literária: não importa o final, pensar sempre te levará a desgraça, a morte. Vamos brincar? Brincar de não pensar, mesmo que estejamos pensando para isso. Pensar é ter sabedoria, contudo, pensar é, sem dúvida alguma, o purgatório em vida.

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