domingo, 17 de abril de 2016

Banana com canela

Eram um total de seis pessoas, reunidas em um sábado. O tempo era quente, porém havia uma brisa fresca e boas sombras graças as árvores do local. Cada um com seu estilo, sua vida e sua forma de pensar, todos opostos uns aos outros e ao mesmo tempo tão iguais graças a um elo que os unia: o mesmo curso.
Os estômagos roncavam e assim estavam naquela pequena lanchonete em uma rua de ladrilhos como asfalto, ocupando duas mesas e seis cadeiras. O cheiro de suco de laranja, salgados, Coca-cola e hortelã invadiam suas narinas e lhe trouxe uma estranha sensação de prazer. A porta estava bastante aberta, discretamente lançou o cabelo para o lado de modo que o vento pudesse refrescar sua nuca. A televisão, posta como um quadro na parede do caixa, transmitia algo sobre o governo e logo ambos foram se servindo. No começo ficou um pouco tímida, não havia dinheiro suficiente para aqueles preços e, devido a obsessão por emagrecer, havia levado lanche de casa: banana com canela. Vendo seu constrangimento, duas pessoas a convenceram e lá estava ela comendo lentamente seu lanche. Se surpreendeu ao gostar mais dele do que a bela e suculenta coxinha na vitrine.
Pela primeira vez não ficou o tempo todo calada com aquelas pessoas, se permitiu abrir-se para conhecê-los e ser conhecida também. Falaram de política, graças a tv, e sobre relacionamentos também ao qual, mais uma vez, provou sua ignorância dando conselhos sem entender nada sobre o assunto. Discretamente notou seus professores os observando junto a uma psicóloga que a encantou por sua palestra e estilo exótico. Achou aquele detalhe importante, contudo, irrelevante para o momento.
Quando havia, enfim, encerrado o horário de seu intervalo naquela manhã de sábado, adentraram novamente os seis pelas calçadas da universidade em risos altos e brincadeiras. Tinha consciência de que ali nenhum era seu amigo, mas sentiu-se de certa forma integrada e com liberdade para falar sem medo. É como se estivesse no Clube Dos Cinco como expectadora e graças a aquele(s) sábado(s) "forçado(s)" a irem a instituição, neste contexto por conhecimento e não punição, estivessem criando um laço para o momento. Isso era raro com estranhos, ainda mais em um momento tão delicado em que vivia. Sentia um vazio constante, algo estava-lhe faltando, mas por alguns segundos se deu o luxo de esquecer essa dor e simplesmente agir.

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Yoo...