sábado, 5 de março de 2016

Para Lóri

Sobre o que é esse texto? Sobre o que eu deva escrever? Aos poucos nada vem fazendo algum sentindo sobre a vida a não ser aquela velha dor no peito, queimando como o vinho queima a garganta e cortando como a navalha cortava o pulso. Os gritos que solto são todos mudos, tampados pelas inúmeras mascaras que me vejo forçada a usar.
Remédios, facas, cordas, prédios, águas fundas e trânsitos intensos. Qual devo tentar primeiro? Estraçalhar tal angustia, nada mais importa. Como posso ser falsificada o bastante para agir independente, sendo que no fundo escondo todos os velhos sentimentos que voltaram ainda mais fortes?
Lóri, minha cara Lorelay, estou relendo sua amada aprendizagem, contudo dessa vez não possuo o alcance dos prazeres em mãos. Dói a cada página, não consigo prosseguir sem chorar por longas horas. Que vitória seu Ulisses, mas perdoe minha tristeza dessa vez.
Lóri, minha mentora Lóri (ou deva dizer meu eu Lóri?). Da primeira vez me trouxe o prazer do toque, a valorização do gosto e o viver nas veias. Talvez antes eu não fosse capaz de sentir a dor que você cita no começo do livro. Agora compreendo, se não talvez não sinta ela mil vezes pior. O que eu deva fazer Lóri? Me enganei tão profundamente, marcas eternas de tal erro. Me diga Lóri, como prosseguir, mesmo eu sabendo as respostas para isso? É errado implorar por uma ajuda que você não precise me dar, mas Lóri, esse é o meu pedido de socorro para você!
Não lágrimas, não desçam novamente. Não agora. Preciso de força, ou melhor, novas mascaras para encarar o que está por vim. Aqui encontra-se abaixo de sete palmos da terra do meu subconsciente o que houve de mais belo no meu coração. Morto e sepultado, sem direito a ressurreição desta vez. Cansei do céu e das estrelas, por hora quero apenas meu copo de sobrevivência de volta e bem cheio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Yoo...