domingo, 7 de fevereiro de 2016

Lábios secos

Apesar da mansa chuva que pousou por aqui, os castigos do tempo quente continuavam marcados por todos. Deitada, encarando o teto, minha mente girava e os olhos piscavam. A boca seca, extremamente seca, podia ser sentida pelas pontas dos dedos. Estava tão ressecada que o couro havia arrebitado por um tempo.
Por que não fazer? É como tocar a chama de uma vela, você pode se queimar ou simplesmente atravessar a chama sem perigo algum. Então por que não fazer?
Decididamente passou a puxar as pelinhas arrebitadas. Ardiam a cada puxão e quando se passava a língua sobre a ferida era notável a diferença no terreno. Arrancou todo o courinho, alguns milímetros vermelhos em uma curva perfeitamente irregular.
Não chorou. Continuou a piscar enquanto fitava distraidamente o teto. A mente, porém, parou de girar e estacionou no surreal breu da loucura.

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Yoo...