quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Monotonia noturna

Virava de um lado para o outro. O lençol da cama já estava todo bagunçado tal como a coberta que havia virado uma bola de pelos. A respiração era densa e pesada. Os olhos abertos denunciavam o misto de sonho e realidade, mesmo que em seu subconsciente se instalava pesadelos seguidos de pesadelos pelos quais ela só queria encontrar a realidade de uma vez.
As alças de sua blusa sobre os ombros era uma das poucas visões de que obtinha antes de novamente se virar para o outro lado. Nenhuma posição lhe trazia paz noturno, mas sua busca não havia terminado ainda. Sentia os cabelos ficarem cada vez mais bagunçados devido aos movimentos e o pouco suor que juntava em sua nuca.
O despertador tocou um tempo depois. Não demorou nem um minuto para estar sentada na cama com os pés desnudos tocando o gélido chão. Um pouco de vertigem acompanhados pela confirmação do cabelo extramente ouriçado.
Admirou a cortina fechada por alguns minutos antes de abri-la. A luz do horário ainda era um misto de azul e roxo, com poucas nuvens ao horizonte. Alguns pássaros cantavam bom dia, mas a noite mal dormida não a deixou admirar de fato tal obra. A luz que invadia seu quarto agora passava para o amarelo para perder a força logo em seguida por uma densa neblina.
Espreguiçou até estralar alguma parte do corpo. Suspirou sentindo-se vazia, literalmente vazia. Calçou os chinelos sem olhar para o chão e então prosseguiu, acompanhada de seu cachorro, para cozinha, onde mais um dia se iniciava. Um longo dia.

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Yoo...