sábado, 28 de novembro de 2015

O vazio em que me encontro

Toda noite, antes de enfim vencer o cansaço e aprofundar-se na gruta dos sonhos, fico pensando e imaginando muitas coisas da minha vida. Como seria tal coisa se eu tivesse feito diferente? Como seria se tal fatos não ocorresse em determinado momentos? E se eu tivesse me calado em tal hora e ter dito em outra? As coisas seriam diferentes?!
Confesso que isso me machuca mais do que deveria, entretanto nada comparado com os futuros alternativos que crio para mim. Atitude ignorante que possuo de me machucar com imagens que nunca serão de fato reais, me forçando a usar de agressões mentais para me lembrar da realidade.
Eu enfim admito: não estou bem. Minha alma se sente vazia, mesmo que sozinha eu não esteja. Um vazio tão grande, uma imagem preta representando, literalmente, o nada. Ninguém disse que seria fácil, mas também não disseram que seria tão difícil.
As dezesseis horas amanhã irão totalizar exatos sete dias que você partiu. Sabe, me pediram para fazer uma homenagem ao senhor de somente coisas boas, mas perdão, ainda não consegui pousar minha mente num campo florido para realizar esse fato. Talvez eu tenha me esquecido como pousa, ou simplesmente esteja sem gasolina para voltar. É complicado dizer com exatidão quando tudo que faço é apenas limpar as lágrimas e tentar esquecer duas imagens marcantes:

1- a última imagem que guardei do senhor vivo! Sabe, você estava no hospital. Eu havia acabado de acordar no ombro do meu melhor amigo, aos poucos me acostumando com aquelas paredes verdes, me lembrando vagarosamente do que estava fazendo ali. Tivemos que ir embora e dobrando o corredor vi a porta do seu quarto aberta. Todo debilitado, com o aparelhos ligados e um sorriso na face. Desde que o conheci em vida, o senhor era cego, porém, eu creio que aquela fora sua primeira visão que teve de mim. Seus olhos esbranquiçados brilharam e um sorriso formou em seus lábios secos... Nunca me esquecerei desse momento;

2- a última imagem que guardei do senhor, após ter partido. Não irei me aprofundar muito nessa parte, está sendo complicado digitar com os olhos marejados... Mas tocar sua face, sentir sua carne fria enquanto eu lhe pedia um misto de "levante vovô" e "descanse em paz, perdoe meus erros com o senhor" foi a pior e mais triste experiência que já tive até o momento. O vazio veio ao assistir a construção da parede que fechava sua lápide. Aquele realmente era o fim, sem volta. O adeus definitivo.

Enfim... Tá na hora de encerrar esse texto como a noite se encerra ao nascer do sol. No fim tudo se ajeita, e essa minha jornada ainda terá um grande tempo para um recomeço. Um tempo que agora eu encerro minhas esperanças de que passe logo. Até lá, deixo seu rádio na estante cantarolando minha estação favorita de MPBs.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Yoo...