terça-feira, 20 de outubro de 2015

Amor sem flechas

Hoje, passando por uma rua movimentada, a avistei  do outro lado do passeio. Estava sozinha, segurando um celular em mãos tremulas. Parecia triste, desnorteada talvez. O calor era escaldante, mas a sombra que a mesma havia pego abaixo daquela bonita árvore a ajudava ser paciente, sem dúvidas.
De primeiro momento, não irei mentir, fiquei um quanto tanto assustada ao notar ela ali, dando sopa com aquele celular em uma cidade tão perigosa nos últimos anos. Tudo piorou quando uma moto passou com dois homens a observando. Tive vontade de dizer "moça, cuidado" ao notar que ela nem notava o mundo a sua volta, mas continuei ali a observá-la.
Ela olhava para a rua, apreensiva e atenta ao vazio, era notável que esperava por alguém. Alguém que não apareceu. Alguém que não ligou avisando e não se importou em nada com ela. Pensei sobre aquilo, intrigada eu estava. Seria algum amor? Incrível como sempre pensamos no amor nessas horas. Mas mais incrível ainda em como somos manipuláveis por esse tal de amor, que nos ilude tão facilmente a fazer papel de trouxa.
Observá-la chorar enquanto desistia de esperar e seguia embora, tentando ainda uma ligação, onde concluí ser o caminho de sua casa,  me fez pensar em como evitar tais coisas, mas acredite, acho que isso é algo muito difícil de decidir. Eu posso muito bem prometer hoje que não cairei nas garras do amor, para amanhã estar triste por um fato não ocorrer comigo. Não é algo fácil viver sem essa atração que temos quando se é tão dependente e carente no carinho que alguém possa nos dar, somos viciados no amor mesmo não querendo ser e temos como consequência essa dor incessante no peito.
Vê-la partir, saber que iria ter raiva dos homens e desabafar com as amigas me fez ter muita raiva de alguém que nem mesmo sei se de fato existe. Mas por outro, me fez pensar sobre o amor, nos meus próprios papeis de "trouxiane" que já tive ou terei. Naquela jovem moça vi meu próprio reflexo e o reflexo de milhares de pessoas desse mundo velho. Talvez quando soubermos ser imunes as paixonites da vida, poderemos enfim ter um amor sem flechas.

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Yoo...