quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Afta

Espremiam-se os olhos em salgadas lágrimas. As mãos mantinham-se fechadas em punhos com o constante movimento inquietante dos pés. Quanto mais doía, mais apertado ficava em baixo da língua. Os caninos perfuravam, as panelas espremiam e os anelares raspavam. Todos ao mesmo tempo ritmo de um concerto sem som.
Batidas rápidas e apreensivas do coração. Que a tortura acabe, talvez tenha dito. Mas a boca sorriu, está apenas começando. A dor era um misto de dor e prazer, do mesmo efeito que de dedão do pé quando encravado. Mais pressão, mais dor. Um filete de sangue.

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Yoo...