quarta-feira, 27 de maio de 2015

Lamentos de um homem que não soube amar na hora certa

Era uma quinta-feira como as outras. O sol começa a despertar, alguns carros passavam, porém o movimento era mínimo. A lanchonete onde eu me encontrava ficava no centro, mas servia também como um bar, para a felicidade de meu controlado vício. Uma televisão passava algum programa pelo qual não me lembro e mal podia ouvir, devido ao radio que alguns senhores ouviam nas mesas atrás de mim.
Virava meu copo americano cheio de cafeína, aos poucos. O líquido quente queimava-me a língua, mas que passava assim que engolia meu pão-de-queijo duro feito pedra. Os olhos escorriam lágrimas, talvez uma pinga cairia bem, mas só Deus sabe o quanto ela odiava este meu lado fádico.
Levantei dali, lugar repugnante e amigo para todas as horas, ou até que seu dinheiro acabe. Caminhei pela linda praça tragando um cigarro atrás do outro. O céu estava em um misto de laranja, azul e rosa, sendo inevitável ver ali seus cabelos, olhos e batom.
Admirava-lhe tanto e tudo terminou assim. Antes fosse traição. Antes fosse você ter se cansado. Mas tudo não passou de um erro meu, um erro fatal. Sua vida foi o preço de meu erro, sinto-lhe muito. Me arrependo tanto de cada palavra que não disse, de cada vez que te neguei meu amor e por ser tarde demais hoje.
No meio da praça, tirando a gravata, caminhei na rua mais movimentada. Estava transtornado, mas tudo o que eu queria era podê-la vê-la novamente, refazer todas as coisas boas e concertar as erradas. Antes do frio aço de um caminhão tocar-me com toda sua voracidade, pude sorrir. Em breve seria feliz de novo.

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Yoo...