sábado, 28 de fevereiro de 2015

Novelo de lã perturbado pela noite

De madrugada, o celular desperta. "Xarope!", dizia o aviso no celular. Aos poucos se recordava da sua dor de garganta, do nariz - que no momento não poderia exercer a sua função corretamente. Seus olhos lacrimejavam pelo sono que sentia.
Em um ato não displicente, como qualquer outro jovem faria, virou-se e dormiu. "Foda-se", pensou em quanto se virava. Dali à duas horas e meia, outros celulares despertam. "Trabalho", anunciam agora. A doce figura de sua mãe aparece no quarto, gentilmente a questiona sobre o xarope. Ela confirma suas suspeitas, nada de xarope nas oito em oito horas que o médico mandou.
Trazendo o remédio, a mãe lhe oferece na boca. A garota, inconsciente pelo sono, ainda continuva como um novelo de lã desorganizado em sua mente. O sol não havia nascido, então tudo bem pensar asneiras, mas será que aquele anjo chamado de sua mãe a amaria se soubesse o que sua mente perturbadora elabora durante os dias e as noites? A amaria se soubesse o que ela sente sobre o mundo ao seu redor? Amaria?!
Vertigem. Náuseas. Sabor morando na garganta. Fechar os olhos molhados. Fleches de luz atravessam a cortina negra. Cada lágrima é uma ferida, uma dor. Se teletransportar para a lã azul-rosa-pêssego. Amaria se pudesse organizar meu novelo? Amaria se pudesse tricotá-lo ou jogar fora? Amaria?!
Celular desperta novamente, agora dizendo "acorda para vida, vagabundo".

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Yoo...